A criança e o exercício de descoberta do mundo
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
("Os Bandeira-Pirata e o ouro do monstro" / Texto e ilustrações Jonny Duddle)[/caption]
Ao encontrar-se novamente com os destemidos Bandeira-Pirata, ela e seus amigos empreendem uma viagem repleta de aventuras, astúcias e reviravoltas para encontrar o tesouro “que vai além de tudo o que você já viu”, como diz o mapa-convite que chegou às mãos da corajosa menina.
A narrativa fluida e elegante do premiado ilustrador inglês Jonny Duddle combina muitos elementos tradicionais das aventuras de piratas –como as feras marinhas, os códigos de amizade entre os marinheiros, sinistras ilhas “desertas” e reviravoltas- com um humor peculiar que dialoga muito bem com o jovem leitor: do pai pirata que quase fica para trás por um bolo de bananas e que lamenta não trazer sua cesta de piquenique ao desembarcar em uma ilha desconhecida ao próprio desfecho da história, passando pelo avô rabugento que perde sua perna de pau de estimação.
Entre bardos sinistros, Kraken, Davy Jones -personagens que povoam também cinesséries sobre o tema, estabelecendo interessantes diálogos entre linguagens artísticas e ampliando repertórios- e simpáticos (será?) macaquinhos, as ilustrações do artista são complemento essencial à narrativa, esclarecendo algumas passagens e acrescentando ainda mais humor e ironia a outras, todas elas protagonizadas não por velhos piratas, mas por crianças astutas, inteligentes e dispostas a uma boa dose de emoção.
Afinal, será que os jovens aventureiros vão encontrar o tesouro? E como será que o mapa os encontrou?
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