A criança e o exercício de descoberta do mundo
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
As experiências cotidianas, um parente chato ou um chamado para criar uma história: tudo pode ficar engraçado se narrado pelas escritoras Índigo e Maria Amália Camargo, que abrem na seção Curto-circuito uma conversa sobre humor, quase um jeito de ver o mundo.
Formada em Letras, Maria Amália Camargo teve seu primeiro contato com o universo das crianças quando foi trabalhar no Museu de Arte Contemporânea da USP, onde recebia escolas e era monitora das exposições. Descobriu ali que queria trabalhar com esse público. Já estava quase rasgando o diploma quando decidiu escrever para crianças. Hoje, com dez anos de trajetória e quinze livros publicados, escreve sempre pensando na criança que foi.
O cotidiano de Maria Amália é um prato cheio para suas histórias cheias de humor. Foi assim que surgiu a ideia de transformar um vizinho implicante em personagem do livro Meu vizinho é chato pra cachorro, com as divertidas ilustrações de Silvana Rando. “O bom da gente ser escritora é que consegue se vingar das pessoas usando um pouco de humor”, conta.
Índigo estreou no mercado editorial com o livro Saga animal, em 2001. Na época escrevia contos na internet. “Um dia comecei uma história que não era um conto”, lembra Índigo, que foi deixando a profissão na publicidade e se dedicando cada vez mais à escrita literária. Autora de vinte e três livros, também escreve roteiros para séries de animação.
Uma pulga e um ácaro são protagonistas de As aventuras de Glauber e Hilda, um dos livros de Índigo, que adora histórias de amor, mas nunca se aventurou a escrever uma entre personagens humanos. Mas não é que criou uma história romântica (e muito engraçada) entre um ácaro e uma pulga? “Com humanos, sempre caía numa coisa muito cafona”, brinca.
Confira no vídeo como o humor se revela na obra (e na vida) das autoras.
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