A criança e o exercício de descoberta do mundo
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
"No começo da minha carreira literária, no final dos anos 1990 do século passado, eu vivia tendo ideias sem parar, era um jorro interminável de criações. Claro que, depois de filtrar tantos insights, sobravam poucas invenções realmente boas e que podiam virar um livro no futuro. Mas a questão era não esquecer das ideias!
Então, eu vivia com lápis, caneta e bloquinhos por tudo quanto é canto da minha casa, na minha mochila, no carro etc. Mesmo assim, acontecia sempre de estar em algum lugar inusitado e a ideia cair na minha cabeça: e cadê o bloquinho!?

Desesperado, eu cheguei a escrever ideias em papel higiênico de vários banheiros pelo mundo, escrever ideias na própria camiseta no meio do deserto e, se anotações no corpo virassem tatuagens, naquela época eu seria um homem bem tatuado. Nos últimos anos, o celular resolveu esse problema, a ideia surge, tiro o aparelho e gravo.
O curioso é que as ideias vêm muito também quando estou correndo - suor e insights! Então, tiro o celular do bolso e começo a gravar. O engraçado é que, ao ouvir, estou tão ofegante, parecendo que vou ter um piripaque, que começo a rir com a minha própria voz, mas muitos dos livros que os leitores adoram nasceram dessas anotações e gravações."
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Ilan Brenman é psicólogo de formação (PUC-SP), mestre e doutor em Educação (USP), dá cursos e palestras sobre formação de leitores e literatura infantil e já publicou mais de 60 livros - sendo três premiados pela FNLIJ e um selecionado para o Catálogo White Ravens 2012. Pela Companhia das Letrinhas, é autor da trilogia "Telefone sem fio", "Bocejo" e "Caras animalescas", em parceria com Renato Moriconi, e dos livros "A cicatriz", "Pai, não fui eu!", "Histórias do pai da História" entre outros.
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