A criança e o exercício de descoberta do mundo
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
No livro, um dróide tecnológico e um menino do sertão brasileiro desenvolvem uma intensa relação de afeto, descobertas e enfrentamento do desconhecido em abordagem inovadora desses temas
Capa da ilustradora Cris Alhadeff
Assim, desse fato inusitado -- e real --, começa Homem de Lata, novo livro da Escarlate, que já chega premiado: recebeu o prêmio João-de-Barro em 2016, na categoria Texto Literário. Na ficção criada por Edson Lopes, um robô, que partiu com destino à Marte, aterrissa com sua nave num local de solo pedregoso e quente. O pouso é mais uma queda que uma aterrissagem, e o robô logo sai à procura de descobrir em que parte de Marte está. Mas vai percebendo que o planeta vermelho não é bem como esperava: há água em estado líquido, plantas, formas de vida e... Sabiá é um menino que mora no sertão com seu pai, Aquariano, e sua mãe, Aurora. É lá, no meio de cactos e caatinga, torcendo pela chuva, mas pedindo que ela não venha muito forte, que Sabiá passa seus dias. Ele viu quando caiu, com força, uma estrela cadente. Até fez um pedido. Que foi atendido. Neste conto que fala das relações na época da tecnologia, Edson Lopes e sua prosa gostosa e bem construída, que vai alterando o ponto de vista narrativo ora para o robô, ora para Sabiá, levam o leitor a perceber dois extremos: a mais desenvolvida e cara produção tecnológica e o mais pobre e ainda rudimentar cenário. Mas extremos que se encontram ao invés de se afastarem. O que acontece quando um menino e um robô se tornam grandes amigos? O afeto e as relações conduzem essa narrativa, que parece nos mostrar que nem a tecnologia nem a dureza nos fazem menos humanos, mesmo se formos de lata. A referência ao clássico personagem de O Mágico de Oz está à altura do personagem: este robô e esse Sabiá têm, cada um a seu modo, corações do tamanho do espaço.
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
Foi só aos 40 anos que Claudia tirou da gaveta o sonho de ser professora. E hoje, 16 anos depois, além de dar aulas de redação, ela é criadora de um Clube do Livro em Caruaru (PE)
'A vovó da minha avó' e 'Nosso lago' trazem formas de lidarmos com a ausência que fica depois da morte - e mostram com delicadeza como honrar a memória dos que vieram antes de nós