A criança e o exercício de descoberta do mundo
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
"Se quisermos entender as adolescentes, precisamos entender as redes sociais." Brenda Fucuta é categórica na afirmação do terceiro capítulo, "Redes sociais, o novo shopping", de seu livro Hipnotizados – O que os nossos filhos fazem na internet e o que a internet faz com eles, lançado no final de 2018 pelo selo Objetiva. A jornalista, que trabalhou uma década com o público jovem, em revistas da Editora Abril, como Capricho, Superinteressante, Mundo Estranho e Guia do Estudante, desenvolveu a pesquisa de seu livro durante três anos. Com a obra, atualiza os pais sobre o que a ciência está publicando a respeito do tema de jovens e internet. "O que é lenda? O que é para prestar atenção nesta relação entre adolescentes e as telas?", ela questiona, em conversa com o Blog da Letrinhas.
Ao abordar a maneira como diferentes gerações acessam a internet, o livro se coloca como uma espécie de guia para pais se familiarizarem com o assunto. A nova percepção de um tempo mais veloz, além de ter alterado habilidades, experiências, manifestações culturais de cada geração, modificou também o próprio conceito geracional. "Hoje aceita-se, inclusive, que gerações vivendo em tempos de mudança acelerada possam ser substituídas em um período de apenas dez anos", ela explica no capítulo "A geração singular".

Ilustração Marcelo Tolentino
O livro traz, então, um novo olhar para essa discussão à medida que apresenta o problema e propõe maneiras de contorná-lo. "Não entre em pânico, esta não é a primeira vez que lidamos com revoluções tecnológicas e até aqui sobrevivemos", Brenda comenta sobre o papel dos adultos orientarem os filhos nesse novo espaço. Para ela, o principal descuido que os pais têm em relação ao contato dos jovens com a internet é o desfalque no tempo de sono, que está sendo espremido pelo uso do celular na cama. "Dormir 8 ou 9 horas de sono é fundamental na adolescência, ele repara o corpo e a mente. Poucos sabem que mais da metade dos distúrbios mentais começa a se manifestar entre 13 e 18 anos de idade", acrescenta.
Ao falar sobre os perigos aos quais os jovens estão expostos quando se dedicam a navegar pela internet, não se pode deixar de lembrar a tragédia que ocorreu em Suzano no mês passado e o envolvimento dos atiradores com fóruns da deep web. A respeito disso, a autora pondera: "A deep web é um território que preserva o anonimato. Pode ser usada por quem não quer ser perseguido por publicidade, por exemplo, ou para quem quer ficar fora da lei. Na minha avaliação, não é um perigo relevante para a maioria dos adolescentes. O perfil de quem, hoje, navega por lá não é tão comum, a tecnologia, nesse caso, apenas facilita as interações. Assim como facilita interações de grupos que se reúnem com outros objetivos, como o dos estudantes secundaristas lutando por mais verbas federais para a educação".
De todo modo, seja por territórios cibernéticos mais profundos, onde o fluxo é menos intenso, seja por aqueles mais superficiais, onde se aglomera uma multidão, a jornalista deixa clara a importância de uma cidadania digital, o uso da tecnologia com ética. Para isso, explica a necessidade de "se comportar com respeito, responsabilidade e também ter conhecimento dos direitos do internauta (o direito à privacidade, por exemplo). Ser um bom cidadão digital é ser um bom cidadão, alguém que conhece seus direitos, seus deveres. O que acontece é que as pessoas ainda não perceberam que existem leis, regras, etiqueta inclusive, nas relações digitais."
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