A criança e o exercício de descoberta do mundo
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
Um dia, no entanto, Pipoca mudou. Deixou cair todas as maçãs que levava ao cavalo -e nem notou. No chá, com as colegas galinhas, nem disse oi. Na ordenha das vacas, não estava nada divertida! Pipoca não tirava os olhos de uma tela brilhante, recém-encontrada, com a qual se comunicava com novos amigos. Parecia vidrada naquele equipamento luminescente.
Alguma semelhança com alguém que você conhece?
O livro A Fabulosa Máquina de Amigos, que conta a história de Pipoca, citada aí em cima, é uma fábula lúdica -e lúcida- do premiado Nick Bland sore as relações humanas em tempos de celular. E sobre os perigos do manuseio indiscriminado das telas pelas crianças. Na história, os "novos amigos" virtuais de Pipoca eram nada menos que lobos famintos.
Estamos cada vez mais conectados. As crianças também. A pesquisa TIC Kids Online 2017, conduzida pelo Comitê Gestor da Internet, do Cetic.br, por exemplo, revela que 85% das crianças e adolescentes brasileiras acessou a internet recentemente. Número crescente. Em 2016, esse número era 82%. E, em 2014, menor ainda: 79%.
Isso não é necessariamente uma má notícia. De acordo com o pediatra do Hospital Sírio Libanês, Alberto Carame Helito, o uso de mídias digitais por crianças entre 18 e 24 meses pode trazer benefícios sociais e de aprendizado, quando na companhia de um adulto responsável, com uso por curtos períodos de tempo e com conteúdo adequado para a idade. "Não devemos permitir que crianças dessa idade usem dispositivos eletrônicos desacompanhadas", diz ele. Esse é o entendimento da Associação Americana de Pediatria (AAP).
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
Foi só aos 40 anos que Claudia tirou da gaveta o sonho de ser professora. E hoje, 16 anos depois, além de dar aulas de redação, ela é criadora de um Clube do Livro em Caruaru (PE)
'A vovó da minha avó' e 'Nosso lago' trazem formas de lidarmos com a ausência que fica depois da morte - e mostram com delicadeza como honrar a memória dos que vieram antes de nós