A criança e o exercício de descoberta do mundo
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
"Gildo" / Silvana Rando (texto e ilustrações)[/caption]
Gildo não pode ver balão. Sim, balões de aniversário, bexigas de festa. Tem verdadeiro pavor. Um dia, no aniversário de um amigo, a mãe do aniversariante amarrou um desses justo no pulso do Gildo. Daí em diante, como lidar com um medo enorme e colorido grudadinho nele?
Com os traços coloridos, divertidos e expressivos de Silva Rando, a narrativa de Gildo nos conta, com muito humor, uma história comum a todas as crianças - e adultos: há sempre algo que tememos, muita vezes inexplicavelmente.
Gildo, em determinado momento, se vê às voltas com seu temor e é obrigado a lidar com ele. O medo, na moderna fábula de Rando, toma corpo e forma num balão colorido que não vai embora, já que preso ao corpo do elefante.
Um diálogo entre Gildo e o objeto de seu pavor acaba se tornando uma divertida brincadeira, que mostra que às vezes basta olhar melhor o que nos assusta para reconhecer novas perspectivas.
Para os pequenos, o mundo todo é muito assustador e desconhecido, coisas banais para os adultos são fonte de verdadeiro pavor e, muitas vezes, há uma experiência de solidão nesse medo. Afinal, ter medo do escuro, tudo bem. Mas e temer um tipo de roupa? Ou uma cor? Ou um modelo de carro? Nem sempre adultos acolhemos temores infantis.
Gildo, ao contrário, mostra aos pequenos que até as coisas mais inofensivas podem ser assustadoras e que é possível ser corajoso mesmo tendo muitos medos, acolhendo as crianças em seu processo de descoberta de si. A letra bastão do texto ajuda leitores em alfabetização ou em fase de exploração da palavra escrita.
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