A criança e o exercício de descoberta do mundo
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
Píppi Meialonga está de volta. Se no ano passado pudemos testemunhar a carismática personagem visitando a cidade do Rio de Janeiro, onde aprendeu a jogar capoeira e provou água de coco pela primeira vez, agora a menina mais forte do mundo está de cara nova. A menina Flavia Scanuffo interpreta Píppi em novo ensaio, com a curadoria de Rodrigo Accioly. "Mesmo avaliando meninas com o tipo físico da personagem, faltava o carisma e a energia. A alegria dela foi uma verdadeira explosão."

Desta vez, o ensaio deverá ser feito na cidade de Santos, devido à comemoração aos 60 anos da Copa do Mundo de 1958. "Vinha de Santos a base da seleção que brilhou nos campos da Suécia naquele ano", explica Rodrigo. A principal comemoração, entretanto, é aos 110 anos de nascimento da criadora da menina ruiva de tranças puxadas, a sueca Astrid Lindgren, comemorado exatamente hoje. O ensaio será feito pelo fotógrafo Paulo Vittar, autor das fotos prévias publicadas aqui.

Considerada referência na literatura infantil, a escritora sueca tem um prêmio internacional criado em sua homenagem, o Alma (Astrid Lindgren Memorial Award). A premiação segue alguns preceitos defendidos em vida pela autora: a valorização dos direitos das crianças e das produções literárias voltadas à infância. Sua principal personagem – a própria Píppi, que vendeu cerca de 145 milhões de exemplares em todo o mundo – é uma garota empoderada já em 1945, ano em que a história foi publicada.

Píppi vive na sua casa, a Vila Vilekula, onde espera a volta de seu pai, bravo marinheiro que caiu de seu barco e sumiu entre as ondas do mar. Na companhia de seu cavalo e de seu macaquinho, o sr. Nilson, ela faz as próprias roupas e protege-se de perigos com a sua força descomunal. Só no primeiro livro, enfrenta policiais que querem levá-la a um lar de crianças, dá uma surra em cinco meninos briguentos, põe dois ladrões para correr e enfrenta um touro. Afinal, sua mãe estava no céu, e Píppi tinha a certeza de que ela a espiava por um buraquinho lá de cima. De vez em quando, acenava para ela e prometia: "Não se preocupe! Eu sempre dou um jeito!".

Astrid criou as peripécias de Píppi na década de 30, quando contava as histórias para a sua filha, Karin. Quando a menina completou 10 anos de idade, a mãe decidiu reuni-las em um livro, dado de presente à criança. A obra, publicada alguns anos depois, chegou a ser adaptada para a TV, em 1968, quando a própria Astrid resolveu acompanhar algumas das filmagens. Sob a direção de Olle Hellbom, 8 mil garotas se candidataram para representar a corajosa personagem.

Para quem se interessou pela história, a dica é conferir os livros Píppi Meialonga, Píppi a bordo e Píppi nos mares do sul. Em Você conhece a Píppi Meialonga?, você pode mergulhar melhor no universo da protagonista. Outras obras da autora publicadas pela Companhia das Letrinhas são Os irmãos coração de leão, Emil e a grande fuga e Karlsson no telhado, além de Rônia, a filha do bandoleiro, lançada em setembro.
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