A criança e o exercício de descoberta do mundo
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
É da conversa entre Eunãoacho e Dejeitonenhum, dois amigos inseparáveis que em nada concordam, que surge mais um livro da dupla Blandina Franco e José Carlos Lollo, autores consagrados pelas aventuras do cachorro Pum. A história de Eu não acho de jeito nenhum (Companhia das Letrinhas, 2017) parece perfeita para os tempos atuais, em que diferentes lados discutem e divergem. E pouco dialogam.
Os autores vivem e trabalham juntos, em um constante processo de criação - no carro, no jantar, no banho… “No restaurante sai muita coisa, a gente começa a falar besteira e ninguém come”, diz Blandina. Outro lugar de muita inspiração é o banho, quando as ideias correm fluidas, e Lollo logo começa a desenhar e escrever nos azulejos do banheiro. Nesse borbulho de criatividade, não há tempo para brigar por coisas pequenas – e reina o tão aclamado “eu também”.
Assim aconteceu, por exemplo, com a decisão das cores deste novo projeto. Contam que ficaram em dúvida sobre a escolha, mas as cores branco e preto logo lembravam o yin yang, o azul dava uma certa personalidade ao personagem. Vermelho e preto pareciam a combinação perfeita: são duas cores fortes e pesadas, não se misturam, não são complementares. A decisão foi feita em conjunto. Provavelmente, um disse: “Acho uma boa escolha”. E o outro emendou: ”Eu também”.
Para falar sobre este projeto, visitamos o ateliê dos autores, que também abriram sua caixa de ideias e mostraram sua coleção de brinquedos. Um pouco desse encontro você confere no vídeo acima.
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