A criança e o exercício de descoberta do mundo
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
Por Guilherme Kroll*
Pense no seguinte cenário: seu pai é um professor no Japão, você estuda em um colégio interno e só pode visitá-lo durante as férias. Imagine sua ansiedade de conhecer o Japão exótico e reencontrar o seu pai, misturada com um pouco de desgosto natural por se sentir um abandonado. Agora some tudo isso ao fato de você encontrar espíritos ancestrais, criaturas mágicas, monstros temíveis e uma pessoa linda que te salva antes mesmo de você conseguir sair do aeroporto em terras nipônicas. Bastante intenso, né?
Pois é dessa maneira que começa A Espada de Kuromori, lançamento bombástico da editora Escarlate para a Bienal do Livro de São Paulo. No livro, acompanhamos Kenny Blackwood, que está passando exatamente por tudo isso que descrevemos no primeiro parágrafo e muito mais. Aparentemente, Kenny é o lendário herói capaz de envergar a espada de Kuromori, do título, e salvar o mundo que está ameaçado por um grupo terrorista composto por humanos e onis (demônios da cultura do Japão). Para isso, ele vai precisar treinar duro e se inteirar dos perigos que o cercam.
A Espada de Kuromori é uma obra fascinante seja pela ação desenfreada, pelas histórias de amor que contém (sejam elas entre pai e filho, ou entre parceiros românticos), mas também por ser uma grande metáfora sobre crescimento pessoal, por mostrar jornadas que todos devemos tomar para atingir a idade adulta. E, para completar, é um verdadeiro tratado sobre cultura japonesa contemporânea e clássica.
Quando terminar de ler o livro de autoria do antigo roteirista da Marvel, Jason Rohan, você pensará de imediato “que obra fantástica, espero que todo mundo que eu conheço leia isso o quanto antes."
*Guilherme Kroll é sócio fundador da Balão Editorial, e já colaborou com todo tipo de site e blog, sendo um grande fã de cultura pop e nerdices em geral. Queria ter sido o lendário Kuromori, mas se contenta em ler bastante sobre o assunto.
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Foi só aos 40 anos que Claudia tirou da gaveta o sonho de ser professora. E hoje, 16 anos depois, além de dar aulas de redação, ela é criadora de um Clube do Livro em Caruaru (PE)
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