ERRATA: "Trincheira tropical", de Ruy Castro
Errata no livro "Trincheira tropical", de Ruy Castro, que narra a Segunda Guerra Mundial no Rio

Lamentamos profundamente a morte de Lygia Fagundes Telles, uma das mais relevantes e singulares vozes da literatura brasileira, desde sua estreia no final dos anos 1930.
Admirada pela força de suas personagens femininas e pela contundência de suas histórias breves, é autora de obras como “Ciranda de pedra”, “Antes do baile verde” e “As meninas”. Ainda na adolescência publicou o seu primeiro livro de contos, “Porão e sobrado”.
Estudou direito e educação física antes de se dedicar exclusivamente à literatura. Foi eleita para a Academia Brasileira de Letras em 1985 e em 2005 recebeu o Prêmio Camões, o mais importante da literatura de língua portuguesa.
“Ninguém merece o Prêmio Camões mais do que você, não apenas pela alta qualidade da obra, mas pela dignidade da carreira, construída com persistência equivalente à força do talento, num exemplo de vocação servida desde a adolescência pelo trabalho consciente.” — Antonio Candido em carta de 2005 à autora.
A editora se solidariza com familiares, amigos e leitores e seguirá homenageando a autora com conteúdos sobre sua trajetória e suas obras.
"Sentiremos muita falta da delicadeza, elegância e carinhos que Lygia dedicava à sua literatura e também a nós seus editores. Nossa relação era mais que afetiva. Era um verdadeiro amor entre autora e seus editores. Uma profunda falta é o que sentiremos a partir de hoje." — Luiz Schwarcz, fundador e editor da Companhia das Letras.
Conteúdos para conhecer a vida e a obra de Lygia Fagundes Telles

Ainda na adolescência manifestou-se a paixão, ou melhor, a vocação de Lygia Fagundes Telles para a literatura, incentivada por seus maiores amigos, os escritores Carlos Drummond de Andrade, Erico Verissimo e Edgard Cavalheiro.
“Ciranda de pedra” (1954) é considerada por Antonio Candido a obra em que a autora alcança a maturidade literária. Lygia também considera esse romance o marco inicial de suas obras completas. Ainda nos anos 1950, saiu o livro “Histórias do desencontro”, que recebeu o prêmio do Instituto Nacional do Livro. O segundo romance, “Verão no aquário” (1963), prêmio Jabuti, saiu no mesmo ano em que já divorciada casou-se com o crítico de cinema Paulo Emílio Sales Gomes.
A década de 1970 foi de intensa atividade literária e marcou o início da sua consagração na carreira. Lygia publicou, então, alguns de seus livros mais importantes: “Antes do Baile Verde” (1970), cujo conto que dá título ao livro recebeu o Primeiro Prêmio no Concurso Internacional de Escritoras, na França; “As meninas” (1973), romance que recebeu os prêmios Jabuti, Coelho Neto da ABL e “Ficção” da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA); “Seminário dos Ratos” (1977), premiado pelo pen Clube do Brasil.
“A disciplina do amor” (1980) recebeu o prêmio Jabuti e o prêmio APCA. O romance “As horas nuas” (1989) recebeu o prêmio Pedro Nava de Melhor Livro do Ano. Os textos curtos e impactantes passaram a se suceder na década de 1990, quando, então, é publicado “A noite escura e mais eu” (1995). Os textos do livro “Invenção e memória” (2000) receberam o Jabuti, APCA e o “Golfinho de Ouro”. “Durante aquele estranho chá” (2002) antecedeu o seu mais recente livro, “Conspiração de nuvens” (2007), que mistura ficção e memória e foi premiado pela APCA.
Em 1998, foi condecorada pelo governo francês com a Ordem das Artes e das Letras, mas a consagração definitiva viria com o prêmio Camões (2005), distinção maior em língua portuguesa pelo conjunto da obra. Imortal, é membro da Academia Paulista de Letras e da Academia Brasileira de Letras.
Abaixo, confira alguns conteúdos para se aprofundas na vida e na obra da autora:
1 – Podcast: Rádio Companhia: 20 anos de Durante aquele estranho chá
2 – Ensaio: “Lygia, revolta e disciplina: um ensaio de Silviano Santiago”
3 – Podcast: Narradores do Brasil: “Os mistérios de Lygia Fagundes Telles”
4 – Programa de TV: Roda Viva
5 – Reportagem: Memórias de Lygia
6 – Música: Retrato de uma Senhora, de Arthur Nestrovski
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“O olhar dessa mulher é inclemente, impiedoso, lúcido, enfim. Não isento de compaixão, mas sem permitir que se turve a lucidez. Com ela nada de piegas, de sentimental, de lacrimoso — ela é dura e sagaz em seus diagnósticos.” – Walnice Nogueira Galvão.
Um dos maiores nomes da literatura brasileira, Lygia Fagundes Telles nos deixou neste domingo (3). O seu legado, no entanto, será eterno e constante para a cultura de nosso país.
Vivendo a realidade de uma escritora do terceiro mundo, Lygia considerava sua obra de natureza engajada, comprometida com a difícil condição do ser humano em um país de tão frágil educação e saúde. Participante desse tempo e dessa sociedade, a escritora procurou apresentar através da palavra escrita a realidade envolta na sedução do imaginário e da fantasia. Mas enfrentando sempre a realidade desse país: em 1976, durante a ditadura militar, integrou uma comissão de escritores que foi a Brasília entregar ao ministro da Justiça o famoso “Manifesto dos Mil”, veemente declaração contra a censura assinada pelos mais representativos intelectuais do Brasil.
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