O que o Brasil precisa é de mais escritores, por Roberto Taddei
Roberto Taddei compartilha a provocação que está por trás de seu novo livro, "Ser escritor"
Diferentemente do que informa a p. 75 de Trincheira tropical, de Ruy Castro, Peter Fuss não era oficial da Luftwaffe e tampouco sobrevoou o Brasil para tirar fotos. O alemão migrou para o Rio de Janeiro a serviço do Deutsche Überseeische Bank, em 1933, com sua esposa, também alemã. A menção a Fuss será suprimida em edições posteriores.
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Muito antes de o Brasil declarar guerra ao Eixo em 1942, a Segunda Guerra já estava entre nós. Em Trincheira tropical, Ruy Castro reconstitui os dez anos que vão de 1935 a 1945 e descreve como o cotidiano da população foi afetado pelo que acontecia na Europa. Aqui estão o racionamento de produtos essenciais, os blecautes, os abrigos antiaéreos obrigatórios nos novos edifícios, os exercícios simulados de contra-ataques dos submarinos e a infiltração de ideias nazistas e fascistas talvez no prédio vizinho. É quase uma história da vida privada, com a mudança de hábitos provocada pela guerra e a modernização forçada do Brasil, do hábito de tomar Coca-Cola pelo gargalo aos aviões que escreviam no céu -- impactos que também foram sentidos na literatura, no jornalismo, na música, no teatro e no cinema.
O livro descreve a disputa entre o integralismo, o comunismo e a democracia sob a ditadura de Getulio Vargas e relata como a campanha pela entrada do Brasil na guerra levou o povo para as ruas. Com seu estilo inconfundível, Ruy encerra o livro nos transportando para o front italiano na companhia dos 25 mil rapazes que foram com a FEB (Força Expedicionária Brasileira) para a batalha no além-mar, muitos dos quais nunca tinham sequer visto o mar.
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