ERRATA: "Trincheira tropical", de Ruy Castro
Errata no livro "Trincheira tropical", de Ruy Castro, que narra a Segunda Guerra Mundial no Rio

Foto: Walter Craveiro
A programação principal do terceiro dia da Flip contou com participação de Pilar del Río, que foi casada com José Saramago e hoje é presidenta da fundação que leva o nomo do escritor português. A mesa "Na contracorrente" era para contar também com a presença da arqueóloga Niède Guidon, mas sua participação foi cancelada por motivos de saúde. Assim, Pilar del Río e o mediador Alexandre Vidal Porto debateram sobre a Fundação José Saramago, direitos humanos, feminismo e muito mais.
Vidal Porto iniciou o debate perguntando para Pilar em que momento ela se deu conta que havia diferenças de tratamento entre homens e mulheres. "Normalmente aprendemos desde menina que há desigualdade", respondeu Pilar, contando como notava que eram às meninas e mulheres que se pediam serviços domésticos (nunca aos homens), e que não se viam mulheres ocupando cargos importantes. Pilar também comentou o uso da palavra "presidenta". Um vídeo de uma entrevista em que interrompe um jornalista dizendo que ela é "presidenta", e não "presidente", viralizou no ano passado. Na Flip, ela repetiu o que disse no vídeo: "Não usávamos esse termo porque não havia mulheres presidentas". Não existia o cargo, não havia a palavra. Mas Pilar insiste que agora o cargo existe, e é importante usar "presidenta" para mostrar às mulheres que elas podem sim presidir.
Pilar falou também sobre o trabalho realizado pela Fundação José Saramago, criada em 2007, que entre seus princípios tem o de seguir as normas de conduta da Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em 1948. Quando Saramago recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, a Declaração completava 50 anos, e em seu discurso o escritor apresetou a sua Declaração Universal de Deveres Humanos, trabalho que está sendo ampliado agora pela Fundação que Pilar comanda. "Temos o dever de nos instruirmos, de sermos conscientes, de não sermos manipuláveis, de sermos cidadãos com alto conteúdo cívico que não nos adormeçam com contos", disse Pilar, pois "a passividade mata e está nos matando como sociedade, como civilização e como países."
Vidal Porto também pediu a Pilar que falasse um pouco sobre a amizade de José Saramago com Jorge Amado e Zélia Gattai. Uma amizade tardia, mas que ficou registrada na troca de cartas agora publicada no livro Com o mar por meio, lançado durante a Flip. Pilar revelou que o broche que estava usando foi um presente de Amado e Gattai, e mostrou também estar com a aliança de Saramago em uma corrente no seu pescoço. "Cabemos no mesmo espaço", disse.
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