Imaginação explosiva, inventividade formal e humor ensandecido. Do ganhador do Booker Prize e autor de Lincoln no limbo. Uma fábula moral contemporânea e extraordinária, enredando crítica ao capitalismo a uma defesa radical da empatia.
Após uma vida de sólidas contribuições para o colapso climático, K.J. Boone está deitado na cama da sua mansão, desacordado e dopado, velado pela esposa, morrendo de câncer aos oitenta e sete anos. Em uma zona liminar entre a vida e a morte, espíritos se revezam tentando fazer o moribundo reconhecer os males que causou à humanidade e ao planeta, determinados a conduzi-lo no caminho do arrependimento.
Em meio a esses espíritos, um destoa. Perseguida por emoções e sensações do "reino anterior" e pelos ecos de uma morte precoce e absurda, Jill Blaine tenta trazer a seu "protegido" não um acerto de contas, mas sim conforto. Ao contrário da trupe de ex-colegas vingativos e vítimas do aquecimento global que estão em busca de justiça ou retribuição, Jill quer ajudar Boone a atingir um estado de beatitude que ela chama de "elevação". Por que ela -- ou nós -- deveríamos desejar isso? Essa é a pergunta necessária que ressurge a todo momento nesse romance ousado e irreverente.
Mais do que insinuar que merecemos todos ser perdoados ou que há algo de ilusório no mal causado por criminosos como Boone, George Saunders conduz o leitor a sentimentos mais complexos e movediços, e por isso mais verdadeiros. É como se pudesse haver uma síntese entre retribuição e misericórdia, apontando para uma forma mais elevada, sim, de reconhecimento. Um reconhecimento que precisa ser conquistado de maneira árdua e contínua, pelos bons e pelos maus, pelos vivos e pelos mortos.
"Em Lincoln no limbo, George Saunders já havia apresentado aos leitores, inspirado na tradição budista, sua tocante visão de um estado de existência após a morte no qual os seres permanecem assombrados por questões não resolvidas. Em Vigília, ele evoca um cenário semelhante, desta vez pondo em destaque nosso destino coletivo." -- Daniel Galera
"Saunders faz o quase impossível parecer fácil." -- Jonathan Franzen
"Uma magnífica expansão da consciência." -- Kirkus Reviews