A criança e o exercício de descoberta do mundo
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
Ilustração de Elizabeth Teixeira em Colo de avó
Avançamos muito, mas ainda há muito o que fazer por igualdade de fato entre os gêneros e por respeito às diferenças, para além dos estereótipos que ainda predominam.
Selecionamos aqui três livros que mostram meninas e mulheres fortes, ativas, desbravadoras, acolhedoras, complexas para além de papéis de gênero pré-determinados. E, além disso, essas obras deliciosas são também escritas e ilustradas por mulheres. Que o imaginário feminino nos traga novas vozes e novas formas de ver o mundo!
1) O tesouro de Monifa, de Sonia Rosa (texto) e Soninha (ilustrações): Como raríssimas vezes se viu na literatura infantil e juvenil brasileira, Os Tesouros de Monifa fala do encontro de uma brasileirinha afrodescendente com sua tataravó, Monifa, que chegou aqui de lá do outro lado do oceano, em um navio negreiro. Mesmo escrava, aprendeu a escrever e, por meio das letras que aprendeu, deixou “Para os meus filhos e os filhos dos meus filhos!” o maior de todos os tesouros que alguém pode herdar. Passado de geração em geração, chega o dia desse tesouro ir para as mãos da garotinha, que se encanta e emociona muito ao receber tamanha preciosidade e, com ela, descobrir a vida da sua tataravó e as suas próprias raízes. Ganhador do selo Acervo Básico da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
2) Colo de avó, de Roseana Murray (texto) e Elizabeth Teixeira (ilustrações): O que pode ter mais força que um abraço acolhedor quando a gente mais precisa? Ou um passeio silencioso de pés descalços pela praça? Ou um bolo ainda quente recém-saído do forno? O que você tem da sua avó? E o que você sabe da história de vida dela? Neste livro rimado, delicioso e poético, a poeta Roseana Murray faz uma homenagem às mulheres que fazem parte especial da vida de todos nós.
3) Voe, Mitzi, voe!, de Helga Bansch: a premiada austríaca assina texto e ilustração nesse lindo e lírico livro sobre liberdade, estereótipos e determinação. Quando um ganso selvagem pousa na cerca perto de onde Mitzi vive, ela contempla, abismada, o voo da ave. Decide então que também vai voar. Seus colegas, gansos de cativeiro assim como ela, riem de Mitzi. Onde já se viu voar sendo bicho criado preso? Mas a ave não desiste e desafia as crenças de seu pequeno grupo. Será que ela vai conseguir realizar seu sonho? Uma fábula poética e metafórica.
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
Foi só aos 40 anos que Claudia tirou da gaveta o sonho de ser professora. E hoje, 16 anos depois, além de dar aulas de redação, ela é criadora de um Clube do Livro em Caruaru (PE)
'A vovó da minha avó' e 'Nosso lago' trazem formas de lidarmos com a ausência que fica depois da morte - e mostram com delicadeza como honrar a memória dos que vieram antes de nós