Planejamento de Leituras do ano: o que é preciso considerar?
Cada coordenador pedagógico e professor tem seu próprio processo para desenhar o percurso das leituras. Mas há alguns fatores que precisam ser levados em conta
Já em sua caverna, o urso se prepara para dormir, mas é interrompido por uma visita inesperada:
Sim, a raposa chega bem na hora em que o urso, com expressão cada vez mais cansada, está organizando tudo para finalmente hibernar. Note que a raposa não entra totalmente na caverna, coloca só a parte de cima do corpo para dentro. Essa ilustração dá a ideia de que ela "chegou de mansinho", astuta.
Ela tenta, então, convencer o urso de que sua caverna é pequena demais para ele. Aqui, Nick Bland usa um recurso puramente imagético para nos dar a sensação de que a caverna é pequena. Compare a imagem acima com a anterior. Na primeira, o urso parece confortável em sua casa, e o teto da caverna está longe dele: é possível até ver a paisagem.
Já na segunda, a cabeça do sonolento animal esbarra no teto, que parece pressioná-lo, pesar sobre ele... O urso então se convence de que a raposa está certa, e é preciso sair.
A astuta raposa convence o urso a fazer as malas e sair em busca de um novo lugar para viver. O olhar entusiasmado e otimista da raposa contrasta mais uma vez com a expressão cansada e indiferente do urso sonolento.
Eles partem juntos numa jornada em que a raposa conduz o urso por diversas opções de toca, mas todas têm alguma "probleminha.
Por uma delas, passava um trem...
Na outra, havia companhia demais...
E na terceira? O que será que o urso encontrou? A astuta raposa ia, de toca em toca, tentando convencer o urso de que estava levando-o a um lugar melhor do que onde ele morava. Para isso, usava toda a sua lábia -e muita linguagem não-verbal, que Bland explora com maestria nesse livro, e que as crianças entendem perfeitamente.
Exatamente como esse diálogo sem palavras entre os dois personagens na imagem acima. Repare também no pequeno rato branco que Bland "escondeu" no lado direito da árvore. Ele dá pistas de como essa história termina.
Com as ilustras sempre expressivas do ilustrador australiano -e numa conversa muito bem feita entre texto e imagem- esse livro diverte e surpreende. Além disso, é todo rimado e cheio de ritmo e repetições, que as crianças adoram.
A leitura compartilhada é indicada a partir dos dois anos, mas os maiores certamente se divertirão também.
Cada coordenador pedagógico e professor tem seu próprio processo para desenhar o percurso das leituras. Mas há alguns fatores que precisam ser levados em conta
Os livros infantis estão mostrando cada vez mais diferentes tipos de famílias - ainda bem! Veja obras que fazem isso muito bem:
Entre o sangue e o sobrenome, entre os pais escolhidos e a origem biológica, há perguntas, expectativas e o desejo de construir a própria identidade. Vamos falar sobre isso com as crianças?