A criança e o exercício de descoberta do mundo
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
Ilustração de: Conte uma história, Estela, de Marie-Louise Gay (texto e ilustração)
Quando meu primeiro filho era bem pequeno, vivia paixões temporárias com os livros. De tempos em tempos, escolhia uma história para amar, carregando o livro para todos os lugares e pedindo aos adultos que o lessem para ele, além de passar muito tempo vendo as ilustrações. As leituras se repetiam ao longo do dia e ele acompanhava a narrativa recitando, junto à voz de quem lia, partes que havia decorado. À sua maneira, lia também e desejava que nós o reconhecêssemos como leitor quando o ouvíamos contando a história. Vi a mesma coisa acontecer muitas vezes na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte: as crianças, especialmente as menores, se encantavam com determinados livros e, semanas após semanas, renovavam seus empréstimos dos mesmos títulos.
Ilustração de: Bruxa, bruxa, venha à minha festa, de Arden Druce (texto) e Pat Ludlow (ilustração)
Defendo intransigentemente que os bons livros – aqueles que nos convidam a experimentar a linguagem para além da história que contam – são mais potentes em seus convites, têm mais chances de promover encontros duradouros com esse monumento que chamamos de cultura escrita e tudo o que ela nos oferece, mas sei que há muito mais coisas entre um leitor e um livro do que sonha toda nossa vã filosofia. Ainda tenho em minha coleção o primeiro dos três exemplares que comprei de Bruxa, bruxa, venha à minha festa, de Arden Druce e Pat Ludlow (Brinque-Book) para o Tomás. Depois de muitas leituras, ele está, claro, sujo e em frangalhos, mas guarda em cada página, em cada ilustração o encanto do meu filho por uma história cumulativa e musical em que Bruxa, Fantasma, Duende, Árvore, Gnomo, Cobra, Pirata, Crianças e outras personagens fazem e respondem a um convite para uma festa.
O desejo de proteger os filhos pode criar a ilusão de que os pais podem controlar as experiências que as as crianças inevitavelmente vão vivenciar na descoberta do mundo
Foi só aos 40 anos que Claudia tirou da gaveta o sonho de ser professora. E hoje, 16 anos depois, além de dar aulas de redação, ela é criadora de um Clube do Livro em Caruaru (PE)
'A vovó da minha avó' e 'Nosso lago' trazem formas de lidarmos com a ausência que fica depois da morte - e mostram com delicadeza como honrar a memória dos que vieram antes de nós