Planejamento de Leituras do ano: o que é preciso considerar?
Cada coordenador pedagógico e professor tem seu próprio processo para desenhar o percurso das leituras. Mas há alguns fatores que precisam ser levados em conta
Um passeio afetuoso pelas ruas apagadas de uma cidade, novas regras para libertar jovens leitores, possibilidades de um dia a dia mais criativo e divertido, uma narrativa marcada pela passagem do tempo. Essas foram algumas das histórias selecionadas pela Revista Crescer para a lista dos melhores 30 livros infantis publicados em 2017.
A lista, que existe há 13 anos, usa como critérios de escolha criatividade, inovação e qualidade de texto, ilustração e de projeto gráfico. Para isso, são convidados 38 jurados, incluindo educadores, psicólogos, críticos, pesquisadores e livreiros, que têm a difícil missão de citar e pontuar cerca de 195 obras lançadas em cada ano. Desse total, 30 são selecionadas.
Na última edição, a revista destacou uma forte presença de lutas contemporâneas e de questões existenciais nas narrativas. "Assuntos relacionados a gênero e diversidade afloraram em títulos que ora liberam meninos e meninas da divisão por sexo no vestuário, ora não entendem qual é a cor de um ‘lápis cor de pele’. Sinais dos novos tempos...". Com a ideia de ajudar pais a selecionarem obras para os filhos, as dicas da revista revelam novos universos a serem explorados pelos pequenos.
A lista ainda revela o vencedor do tradicional Troféu Monteiro Lobato de Literatura Infantil, que nesta edição homenageia o trabalho de Odilon Moraes, que ilustrou Direitos do pequeno leitor e tantos outros livros. A premiação é pelo seu "trabalho meticuloso de pesquisa e de refinamento com a arte da ilustração e da escrita que se refletem em livros excepcionais". Confira abaixo os livros da Companhia das Letrinhas que foram selecionados e, para conhecer a lista completa, clique aqui.
O tempo revelado pelas mãos
As mãos que afagam, confortam e se estendem em afeto são o ponto de partida desse livro que aborda questões como o tempo e a saudade. É A quatro mãos, da premiada Marilda Castanha, que configura na lista como "uma preciosa história sobre a passagem do tempo, as perdas e as pessoas que nos ajudam a crescer e a construir nossas vidas." Confira a entrevista que fizemos com a autora para o blog.

Caminhos para um mundo mais legal
Uma série de propostas mirabolantes compõem O mundo seria mais legal, de Marcelo Tolentino. Já imaginou, afinal, se a Chapeuzinho Vermelho engolisse o Lobo Mau? E se a gente secasse no varal? Com essas ideias, Tolentino propõe a seus leitores a criação de novas possibilidades para um cotidiano mais divertido e criativo. Confira a entrevista com o autor.

Um passeio afetuoso pelas ruas
Uma menina de capuz vermelho não se rende à cidade acinzentada que a cerca: em seu passeio com um adulto, observa cores, flores, detalhes que aos outros passam despercebidos. As cores alimentam possibilidades de uma cidade mais humana e logo contaminam a todos nessa homenagem ao afeto e à gentileza: De flor em flor, de Jon Arno Lawson.

Liberdade aos leitores!
Em tempos marcados por regras e mais regras, um manifesto à liberdade: Direitos de pequeno leitor, de Patricia Auerbach e Odilon Moraes, clamam pela leitura (des)compromissada, pelo ato de ler onde e como quiser, por se imaginar o herói da história, por fazer amigos imaginários. As ilustrações de Odilon dão um toque especial ao livro, em que constrói narrativa paralela ao texto, repleta de referências a clássicos da literatura infantil. O leitor agradece. Confira a entrevista com o ilustrador.

Enquanto o sono não vem...
O que acontece quando o dia foi puxado, mas o sono tarda a chegar? É a situação contada por Susane Straber em Muito cansado, bem acordado. Na obra, uma série de animais vão aos poucos acordando e levantando da cama. Um vai ao banheiro; outro, beber um pouco de água… A solução para o problema, você descobre no final desse divertido conto cumulativo.

Cada coordenador pedagógico e professor tem seu próprio processo para desenhar o percurso das leituras. Mas há alguns fatores que precisam ser levados em conta
Os livros infantis estão mostrando cada vez mais diferentes tipos de famílias - ainda bem! Veja obras que fazem isso muito bem:
Entre o sangue e o sobrenome, entre os pais escolhidos e a origem biológica, há perguntas, expectativas e o desejo de construir a própria identidade. Vamos falar sobre isso com as crianças?