Trilogia da desordem, por Natércia Pontes
Natércia Pontes compartilha os temas que marcam seu novo romance, "Vida doçura".

Foto: Acervo do Museu Villa-Lobos
Neste domingo, completam-se 60 anos da morte de um dos maiores nomes da música clássica brasileira: Heitor Villa-Lobos.
Em 2020, a Companhia das Letras publicará uma biografia sobre o grande compositor e maestro, escrita por Rodrigo Alzuguir – músico, pesquisador e autor da biografia de Wilson Baptista.
Confira, abaixo, uma entrevista em que o autor dá mais detalhes sobre as principais fontes e revela pistas sobre o que há de novo na obra.
Quando você começou a pesquisa?
Comecei a pesquisar sobre Villa em meados de 2014, instigado por um grande amigo, Marcelo Rodolfo, que integra a equipe do Museu Villa-Lobos desde a época de Mindinha, companheira do Maestro. Ele acompanhou a feitura do meu livro sobre Wilson Baptista e praticamente me intimou a fazer algo parecido sobre o Villa, que ainda carecia de uma biografia mais moderna, alentada, de abordagem mais jornalística. Tem sido um mergulho incrível para mim, que vinha me concentrando mais na música popular. Sairei outro desse trabalho!
Quais são as principais fontes?
Conto com a chancela do Museu Villa-Lobos, que abriga um acervo maravilhoso. São milhares de itens que pertenceram ao Villa, entre documentos pessoais, clipagem de imprensa, fotografias raras, manuscritos, além de uma biblioteca incrível com praticamente tudo o que se escreveu sobre ele desde meados do século passado. Fiz minha base ali. O Instituto do Piano Brasileiro, na figura do incansável Alexandre Dias, amigo querido, tem colaborado muito com material inédito e precioso sobre Villa. Alexandre é praticamente um orientador, recorro a ele o tempo todo. Percorri os arquivos da Academia Brasileira de Música, do Arquivo Nacional e do Museu da Imagem e do Som (sou adicto dos Depoimentos para a Posteridade), e destaco a Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional como ferramenta de pesquisa fundamental - a Hemeroteca é o sonho de todo pesquisador. Algumas pessoas têm sido muito generosas em compartilhar seus conhecimentos comigo, a exemplo de Manoel Correa do Lago, Pedro Belchior, Hugo Pilger, Paulo de Tarso Salles e o próprio Marcelo Rodolfo. Cheguei a entrevistar o Vasco Mariz, autor da primeira biografia do Villa, lançada nos anos 1940.
Que tipo de novidade promete trazer?
São tantas... Me orgulho de ter conseguido montar o quebra-cabeças familiar do Villa, com informações mais precisas sobre todos os familiares próximos (pais, avós, irmãos, padrinhos, tios, sobrinhos). Cheguei a uma genealogia do Villa que remonta a séculos. Também trarei detalhes das desventuras de Raul Villa-Lobos no funcionalismo público, que levaram a família ao exílio e afetaram profundamente a infância do Villa. Episódio épico, mas que aconteceu, na realidade, de forma bastante diferente do que se conta. Tive que me conter para que Raul, personagem fascinante, não virasse uma biografia dentro da biografia. Me dediquei bastante às famosas viagens de mocidade do Villa, buscando apurar o que havia de real nos relatos fantasiosos e vagos que chegaram até nós. Há novidades aí também.
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