Trilogia da desordem, por Natércia Pontes
Natércia Pontes compartilha os temas que marcam seu novo romance, "Vida doçura".
Por Elisa von Randow

Reza lenda que, durante alguns loucos dias de 1916, o jovem Oswald de Andrade andava pela cidade de São Paulo com a grande diva internacional Isadora Duncan em seu automóvel conversível. Na alvorada daqueles tempos, na colina primitiva da cidade, compreendida entre os rios e vales hoje domesticados sob o asfalto, a modorrenta vila despertava para a modernidade luminosa do século XX. Em breve, aquele rapaz topetudo seria um dos atores fundamentais do terremoto cultural que até hoje inspira e alimenta as vanguardas artísticas do Brasil e do mundo.
Hoje, quando olhamos para os edifícios históricos desse centro antigo, cenário dos passeios tresloucados, difícil não pensar que eles são testemunhas inabaláveis das transformações da cidade, de seus dias de opulência e decadência. Além das marcas do tempo deixadas pela cidade bricolagem, que não para de se fragmentar e multiplicar, grita em suas empenas uma camada contemporânea de poesia violenta e urbana, diálogos incompreensíveis, manifesto das vozes dos que recusam fazer parte do estabelecido.
O pixo toma as paredes em batalhas clandestinas. Ele não respeita as fachadas recém pintadas, não dá a mínima para o patrimônio histórico, foge da polícia e despreza a propriedade privada. Com ímpeto suicida, seus escritores anônimos criam uma linguagem cifrada, sintética e radical, "sacudida pela contribuição milionária de todos os erros”. Como a escrita de Oswald, nas palavras de Sabato Magaldi, “privilegia-se o gosto demolidor de todos os valores; renega-se conscientemente o tradicionalismo cênico, para admitir a importância estética da descompostura”.
Daí nasce a ideia central do projeto gráfico para os livros de Oswald de Andrade, a serem relançados pela Companhia das Letras: a convivência entre camadas de tempo distintas mas semelhantes em sua revolucionária radicalidade e originalidade paulistana. Com um perfume de vanguarda concretista, vandalismo e uma pitada de tropicalismo urbano, foi desenhada a fonte Oswald, geométrica, sintética, paulistana e universal.
Para o miolo, usamos a fonte Silva Text, desenhada por Daniel Sabino do estúdio Blackletra.









Memórias sentimentais de João Miramar, primeiro lançamento da reedição das obras de Oswald de Andrade, já está nas livrarias.
Elisa von Randow é designer e ilustradora, trabalha com projetos editoriais e culturais. Entre 2001 e 2008 integrou a equipe da Máquina Estúdio, na qual produziu capas e livros premiados. Em 2009, inaugurou sua primeira exposição individual, Nada está em seu lugar, com desenhos, fotos, colagens e gravuras.
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