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/ À vistaEm A máquina do golpe, Heloisa Murgel Starling conduz o leitor ao longo dos oito dias decisivos que fizeram do golpe de 1964 um processo irrefreável.
Os antecedentes da deflagração golpista, a movimentação política do governador mineiro José de Magalhães Pinto e a reação do general Castello Branco são recuperados aqui dia a dia, hora a hora, e evidenciam as engrenagens de uma articulação que operava em várias frentes. A essa intrincada rede de conspiradores soma-se a indispensável participação política dos Estados Unidos, personificada no embaixador Lincoln Gordon e ao Ipes, think tank formado por membros da elite industrial e financeira, atuando como o "Estado-Maior" que, por trás da rede de conspiradores, conduziu seus ativistas ao poder em abril de 1964.
Mantendo o ritmo frenético, Starling detalha como, para revestir a deposição de Jango de uma aparente legalidade, o então presidente do Congresso, senador Auro de Moura Andrade, declara a presidência vaga, após a saída estratégica de Goulart rumo a Porto Alegre. Daí em diante, as disputas entre as frentes militares orientadas por Costa e Silva e Castello Branco se acirram em uma premente busca pela primazia do golpe e para assumir o comando do país.
Com competência, cadência e rigor acadêmico, Heloisa Starling nos faz acompanhar, minuto a minuto, as articulações de militares e civis, no Brasil e nos Estados Unidos, em torno de um dos episódios mais importantes e mais sórdidos da nossa história: o golpe de 64. A escrita é impecável e a leitura indispensável! - Dulce Pandolfi
Heloisa Starling nos conta uma história que ainda precisava ser integrada à memória do país. Hoje temos mais certeza do que nunca de que o conhecimento desse passado não pode ser subestimado. - Andre Basbaum