A 24ª edição da FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty, tem (de novo!) a poesia como foco. Este ano, a autora homenageada é Orides Fontela, filósofa e poeta. E ano passado, outro poeta ocupou o posto: Paulo Leminski, com o seu Bicho Alfabeto e haicais tão característicos.
Apresentar a poesia para as crianças desde cedo é importante não apenas pelos jogos, rimas e ritmos que o texto pode alcançar. Mas principalmente por poder proporcionar o sentir por meio das palavras. A poesia – e os poetas, claro – conseguem construir e subverter os sentidos das palavras, abrindo outras possibilidades de pensar, interpretar e existir.
Para iniciar as crianças nessa arte, separamos livros de poesia cheios de delicadezas, graça e astúcia:
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Converseiro da Natureza (Companhia das Letrinhas, 2025), de André Gravatá e Kammal João
Entre palavras e silêncios, este livro nos convida a parar e ouvir. Uma intenção anunciada desde o primeiro verso: “Esteja à escuta”. E ao escutar, apenas sinta. A ideia surgiu para o autor depois da visita de uma catende, uma espécie de lagartixa, como ele detalhou nesta entrevista ao Blog Letrinhas.

Escolha uma palavra (Companhia das Letrinhas, 2025), de Marília García e Lígia Franchini

A relação delicada e fresca que palavras e imagens vão tecendo neste livro-poema ilustrado, estreia da autora para as infâncias, evoca o olhar das crianças.
Escolha um livro,
um livro cheio de palavras
que contam uma história.
Escolha um livro como este.
O Bicho Alfabeto (Companhia das Letrinhas, 2014), de Paulo Leminski e Ziraldo

Assim como Leminski, o Bicho Alfabeto por onde passa faz brotar palavras. Palavras que constroem poemas. E poemas que viraram imagens nas mãos de um dos ilustradores mais queridos de todos os tempos. Os textos deste livro funcionam como porta de entrada para o universo do autor e foram selecionados da obra Toda poesia por Alice Ruiz, companheira do poeta curitibano.
Pão na chapa (Companhia das Letrinhas, 2023), de Fabrício Corsaletti e Ana Matsusaki

É na simplicidade de eventos cotidianos que as palavras encontram matéria e alegria. A partir de coisas tão banais quanto um pão na chapa, somos carregados pelos versos que vão nos levando a associações improváveis e tão espontâneas como as que as crianças fazem.

Impossível pensar em apresentar a poesia para crianças sem falar em Manoel de Barros. Com seu quintal maior que o mundo e sua poesia escrita em “língua de ave”, ele se tornou um dos grandes nomes da poesia contemporânea. E porta-voz de uma infância livre, inventiva, mágica que tem cheiro de barro molhado.
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